E SE… EU DECIDIR SER FELIZ?

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Todos nós, quando nos separamos de alguém que amávamos ...


alguém que, em tese, seria nosso par romântico pela vida afora e por toda a vida, alguém que se comprometia de corpo e alma a ser nosso para sempre, a despeito de sempre sempre acabar —, temos tendência a remoer nossas faltas durante um bom tempo, passar noites em claro nos autoflagelando, nos perguntando onde foi que erramos.

Nada é mais devastador na vida de uma pessoa que tenha passado por uma ruptura amorosa precoce do que o momento de encarar a dor da perda, quando o outro se vai sem sequer dizer bom dia, muito menos adeus. Um fogo de comiseração nos queima o peito dia e noite, nada apazigua a sensação de frustração por um amor que se foi sem aviso, a felicidade perdida parece riscar nossa face como um estilete em brasa, deixando marcas visíveis, uma alma ferida e uma dor que teima em fazer redemoinhos no nosso coração matando aquelas borboletas que antes esvoaçavam em nosso estômago. A lista dos nossos “se” — se eu tivesse feito isso, se tivesse agido daquele jeito, se tivesse compreendido, se tivesse perdoado — torna-se obsessiva, parece brotar na cabeça como erva daninha e escalpelar nossos pensamentos vinte e quatro horas por dia.

Essa frase, “Quantos ‘E SE’ você tem guardados”, que li no outro dia não me recordo onde, me chamou a atenção, me inspirando a reflexão acerca dos meus próprios “e se”. Por muitos anos me deixei escravizar por pensamentos de culpa por ter perdido um amor extremamente importante para mim, minha lista dos “e se” era bastante longa. Não me envergo de ter passado tanto tempo tentando manter viva uma realidade que já não existia, querendo ficar quando era hora de partir.

E se eu tivesse dito não desde o início? Um grande e sonoro não ao primeiro beijo, às primeiras carícias, aos primeiros toques, às primeiras emoções? Se eu tivesse o controle do destino completamente nas mãos, se manipulasse o tempo, que inexoravelmente põe fim a tantas e tantas ilusões, talvez pudesse ter me contentado com uma transa rápida, um encontro fugaz, daqueles que não deixam nem sombra do que aconteceu na noite anterior.

Deveria ter partido enquanto ele checava os e-mails, telefonava para a empresa para adiar a reunião do dia, comendo as sobras geladas da pizza pedida na noite anterior, e entre uma ordem empresarial e outra roçava meus mamilos com a boca e a língua, me pedindo para esperar só mais um pouco, com cara de promessa e dívida.

Deveria mesmo ter me vestido rapidamente após nossa primeira noite e saído daquele quarto enquanto ele estava no banho, pois se soubesse que ele voltaria para a cama bem barbeado, ainda molhado, com a toalha displicente nos ombros, um sorriso lascivo pedindo mais um beijo e se jogando em cima de mim para mais meia hora de sexo matinal, se eu soubesse que iria me apaixonar perdidamente por ele… ah, se tivesse fugido naquele instante, antes de um segundo round…

E se eu não pagasse pra ver e viver aquele amor? Eu não teria sido tão feliz, apesar do sofrimento, da separação e do adeus que insisti em adiar por tantos anos.

E se um dia o universo conspirar para uma volta desse grande amor, vou trocar todos os meus “e se” acumulados por um grande e retumbante “agora é”.

Fonte: https://osegredo.com.br/2016/08/e-se-eu-decidir-ser-feliz/





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